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Em entrevista cantor cristão fala sobre a perda de um fã para a dependência química e o desafio de lidar com as próprias limitações

today16 de julho de 2026 8

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O testemunho de superação do cantor Ben Fuller é um dos mais conhecidos e celebrados pelo público da música cristã contemporânea nos últimos anos. Após passar quase uma década e meia lutando contra o vício em drogas, álcool e um estilo de vida autodestrutivo, o artista encontrou na fé um recomeço e um novo propósito. No entanto, em uma entrevista exclusiva à prestigiada revista de música cristã CCM Magazine da qual é o grande destaque de capa deste mês , Fuller revela que a transição de “ser redimido” para “viver a redenção” diariamente traz consigo uma carga emocional extremamente pesada.

Com sua presença física imponente de 1,93m de altura, tatuagens no pescoço e mãos calejadas pelo trabalho no campo, o cantor exala uma energia que muitos no meio musical descrevem como genuína e crua, comparada por ele mesmo ao espírito de João Batista. Mas é a sua capacidade de se conectar com a dor do público que tem definido os bastidores de sua trajetória recente. Noite após noite, ao descer do palco, ele se depara com centenas de pessoas que compartilham seus traumas mais profundos, desde tentativas de suicídio até batalhas familiares contra o alcoolismo e a dependência química.

Essa proximidade com o sofrimento alheio gerou no artista uma cobrança interna sufocante, descrita por ele como a tentativa de agir com um “S” de super-herói no peito. O limite dessa responsabilidade, contudo, bateu à sua porta da forma mais dolorosa através de uma carta enviada por uma espectadora. No texto, ela relembrou um encontro de Fuller com seu melhor amigo, relatando que o jovem não resistiu, sofreu uma recaída e faleceu, mas agradeceu ao cantor por ter falado de Jesus para ele.

O impacto de saber que um dos jovens que ele tentou alcançar não sobreviveu à mesma dinâmica de autodestruição da qual ele próprio foi resgatado deixou marcas profundas. Fuller desabafou que, embora compartilhe o que Deus fez por sua vida, ele precisa aceitar que não pode salvar todo mundo por não ser Deus.

Essa dura realidade confrontou o artista com questionamentos existenciais profundos e uma persistente culpa de sobrevivente, fazendo-o questionar frequentemente o motivo de ter sido poupado das estatísticas que tiraram a vida de tantas pessoas ao seu redor, incluindo amigos próximos. Definindo sua rotina na estrada como uma mistura de sentimentos extremos, ele descreve a experiência de seguir a Jesus como uma das maiores alegrias e, ao mesmo tempo, uma das maiores tristezas que já experimentou. Mesmo diante das dores e das respostas que nunca chegam, Fuller escolhe continuar subindo nos palcos e compartilhando sua verdade, aceitando o papel de apontar para onde o resgate se encontra, sem o fardo de tentar salvar o mundo sozinho.

Escrito por Criativa Radio

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