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Criativa Radio
A Apple TV+ anunciou o lançamento de “Mr. Scorsese”, um documentário em cinco partes que promete apresentar ao público um retrato íntimo, complexo e profundamente humano de Martin Scorsese, um dos diretores mais influentes da história do cinema. Dirigida pela cineasta e escritora Rebecca Miller, a produção propõe mostrar um Scorsese raramente visto: vulnerável, espiritual, inquieto e disposto a revisitar as feridas e buscas que moldaram sua trajetória artística.
Segundo Miller, a ideia foi criar “um retrato, e não um estudo clínico”, deixando claro que o filme carrega seu olhar pessoal sobre o diretor de clássicos como Taxi Driver, Raging Bull, Goodfellas e Silence. A diretora conduziu longas conversas com Scorsese — algumas ultrapassando cinco horas — e teve acesso a arquivos pessoais, além de depoimentos de colaboradores como Robert De Niro, Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis e a lendária editora Thelma Schoonmaker.
Um dos eixos centrais do documentário é o conflito espiritual que permeia a filmografia e a vida de Scorsese. Criado em um bairro dominado pela máfia, o cineasta cresceu frequentando a igreja, sendo orientado por sacerdotes e até cogitando o seminário. Com o tempo, o choque entre a violência do mundo ao seu redor e sua formação religiosa passou a alimentar sua arte.
Para Rebecca Miller, esse contraste define a genialidade do diretor:
“Ele explora pecado, culpa, violência e, ao mesmo tempo, redenção e misericórdia. Esse é o mapa da alma humana que ele traça em seus filmes.”
O documentário revisita momentos marcantes da carreira, incluindo a polêmica em torno de “A Última Tentação de Cristo” (1988), obra que Scorsese concebeu como uma tentativa profundamente pessoal de compreender melhor a figura de Jesus — justamente por meio da tensão entre humanidade e divindade.
“Mr. Scorsese” também aborda o impacto que episódios históricos tiveram em sua fé. Miller lembra que o cineasta se afastou da Igreja após ouvir um sacerdote defender a Guerra do Vietnã como um “ato santo”, episódio que o marcou profundamente. Mesmo assim, sua relação com Cristo e com a espiritualidade continuou sendo um fio condutor interno, refletido em filmes como Silence.
Para Miller, a força do documentário está justamente nessa coexistência entre luz e sombra:
“Como um homem tão fascinado pela brutalidade também é movido por uma busca espiritual tão profunda? Essa é a pergunta que me guiou.”
Com estreia prevista na Apple TV+, “Mr. Scorsese” promete atrair tanto amantes do cinema quanto espectadores curiosos pela jornada interior de um artista que transformou dor, fé e contradição em algumas das obras mais impactantes do cinema moderno.
Escrito por Criativa Radio
Apple TV documentario fe Martin Scorsese
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